Oruam estampa capa de revista britânica e reacende debate sobre cultura e segurança pública no Brasil
O rapper brasileiro Oruam ganhou destaque internacional ao estampar a capa da prestigiada revista britânica Dazed, publicada nesta segunda-feira (2). A matéria descreve o artista como “rapidamente se tornando uma lenda”, enquanto também o associa a um “alvo da lei”, em referência a projetos legislativos em andamento no Brasil que restringem o uso de verbas públicas para shows com artistas cujas letras promovam o crime.
A presença de Oruam na publicação reacende uma discussão nacional sobre os limites da liberdade artística e a responsabilidade social de influenciadores culturais. A reportagem britânica faz menção a projetos apelidados de “anti-Oruam”, que tramitam em diversas câmaras municipais e assembleias estaduais. Tais projetos buscam impedir o financiamento público de apresentações que contenham apologia ao crime, especialmente em estados marcados por altos índices de violência urbana.
O nome de Oruam tem sido frequentemente ligado a controvérsias. A conta oficial da revista britânica Dazed no X foi alvo de nota da comunidade onde a nota afirma que o artista possui tatuagens em homenagem ao pai, o traficante Marcinho VP, e ao tio, envolvido no assassinato do jornalista Tim Lopes. Além disso, suas músicas carregam conteúdos que exaltam o crime organizado, com forte identificação com o Comando Vermelho, uma das facções mais perigosas do país.
Especialistas em políticas públicas alertam para o impacto cultural de figuras como Oruam, que, ao atingirem grande popularidade, acabam influenciando principalmente jovens em situação de vulnerabilidade. “Há uma linha tênue entre expressão artística e romantização da criminalidade”, comentou um pesquisador da área de segurança.
A repercussão do caso ressalta a necessidade de se estabelecer critérios mais claros para o uso de recursos públicos na promoção cultural. Para muitos, a arte deve servir como instrumento de transformação social, e não como plataforma para glorificação de práticas criminosas.
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